Quinze dicas importantes sobre a “Árvore Familiar do FamilySearch”

A “Árvore Familiar do FamilySearch” (https://www.familysearch.org/tree) é uma das plataformas do portal do megaprojeto “FamilySearch” d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (os mórmons).

A Árvore Familiar é a plataforma colaborativa que se comunica de forma semiautomática com os registros indexados do FamilySearch e também de forma inteiramente manual com os registros ainda não indexados.

Todos podem inserir e modificar dados na Árvore Familiar. Essa é, ao mesmo tempo, a sua melhor e pior característica. É sua pior característica porque permite que pessoas façam modificações muitas vezes equivocadas e que acabam por “estragar” um trabalho já feito (sempre é possível recuperar os dados, mas é trabalhoso). E é sua melhor característica porque permite que pessoas do mundo inteiro tenham um acesso fácil e gratuito a milhões e milhões de nomes, fazendo com que linhas que no passado talvez nunca pudessem se cruzar agora estejam a apenas alguns cliques de distância.

As características positivas se sobrepõem com folga àquelas negativas. Eu convido a todos que publiquem seus dados genealógicos na Árvore Familiar, mas paralelamente mantenham seus dados num software no seu computador (com backup) e também em papel. Se publicarem seus dados na “Árvore Familiar do FamilySearch”, tenho certeza que terão grandes surpresas. Não deixem de cadastrar um e-mail público para que outros usuários entrem em contato e sigam essas dicas a seguir. Em todo sistema com grande quantidade de dados padronização é fundamental.

1) A Árvore Familiar é um ambiente público e colaborativo.

Ninguém é “dono” do registro de um indivíduo e nem de uma árvore genealógica. Todos podem colaborar dentro dos parâmetros da razoabilidade e do bom senso. Repito: os dados que estão lá não têm um dono. Se quer total privacidade, exclusividade e inviolabilidade de dados não use essa plataforma.

2) Você não é o ponto referencial de ninguém.

Nunca coloque palavras como “Pai”, “Avô”, “Bisavô” etc. na lacuna “Título”. Essa lacuna serve para colocar títulos nobiliárquicos (Marquês, Conde), militares (General, Almirante) etc. Eu particularmente acho inadequada a presença dessa informação no nome principal do indivíduo, por isso não a uso, nem quando a pessoa possuía de facto algum título.

3) É essencial anexar fontes!

Construir uma árvore genealógica é um trabalho minucioso e para ser “levado a sério” é preciso estar baseado em fontes primárias (ou, pelo menos, em fotos secundárias). As fontes primárias são os registros (registros civis, religiosos, policiais, judiciais etc.). A Árvore Familiar do FamilySearch permite ao usuário anexar fontes de duas formas, uma semiautomática ao ter o registro em tela e outra manual, inserindo a fonte diretamente na aba FONTES, descrevendo-a da forma mais detalhada possível.

Você não é fonte de nada! Dizer que “Fulano é meu bisavô” ou “Está certo porque minha avó me contou” são frases que não cabem numa árvore genealógica. Você não está criando uma árvore para si mesmo, mas para o mundo. Os relatos familiares são muito importantes, mas sempre devem ser verificados. Os antigos inventavam muitas historinhas ditadas por sua quase sempre fértil imaginação (e eles jamais poderiam imaginar que um dia alguém fosse verificar isso tudo). A plataforma tem espaço para relatos pessoais e anotações de pesquisa. É lá que você deve colocar esse tipo de fonte oral, indicando com o maior detalhamento possível os dados do autor do relato, ocasião em que determinada histórica foi contada etc.

4) Como nome principal do indivíduo coloque o seu nome corrente de nascimento.

O que se entende por “nome corrente”? O nome que ele usava e não todos os outros eventuais prenomes que a pessoa recebeu no batismo, mas que ela nunca usou. O nome completo, incluídos os que nunca usou, ficam para a seção “Outras informações >  Acrescentar informações > Nome alternativo”. Se o indivíduo era conhecido por “Antonio Tavolaro”, use este nome mesmo que ao nascer tenha recebido o nome de “Antonio Carlo Ermenegildo Andrea Tavolaro”. Os prenomes adicionais vão para a seção adequada. Usar nomes quilométricos que evidentemente não eram usados pelo indivíduo criará um problema para a impressão de relatórios ou de árvores (sejam no formato em leque, horizontal, vertical ou ahnentafel).

5) Mulheres sempre devem ser anotadas/registradas com seu nome de nascimento (“de solteira”).

Em qualquer trabalho genealógico as mulheres devem sempre ser assinaladas com o nome e sobrenome recebidos ao nascer. O nome de casada deve ser anotado na seção “Outras informações >  Acrescentar informações > Nome alternativo”. O mesmo vale para qualquer outra variação do nome completo.

6) Nunca use alcunhas (“apelidos”) no nome principal.

Jamais escreva “Antonio (Tonico) Rossi”. Assim como o “nome de casada”, as alcunhas e assemelhados também vão na seção “Outras informações >  Acrescentar informações > Nome alternativo”. O mesmo vale para as normalmente numerosas variações de nomes comuns antes da década de 1950.

7) Não escreva sobrenomes com todas as letras maiúsculas, muito menos o nome completo.

Num ambiente em que existem lacunas separadas para nomes e sobrenomes isso simplesmente não tem sentido. No passado era uma forma de destacar o sobrenome visualmente, mas tal artifício é desnecessário com os softwares mais modernos, que permitem que se alterne entre uma forma e outra de acordo com a necessidade.

Inacreditavelmente, há pessoas que insistem em escrever nomes inteiros apenas com letras maiúsculas. Isso simplesmente carece totalmente de sentido. É algo antinatural e de péssimo estilo.

8) Use formas padronizadas para datas completas.

A padronização das datas em português na “Árvore Familiar do FamilySearch” é feita da seguinte forma:

    • Quando se tem a datas completa: 8 de abril de 1918
    • Quando se sabe apenas mês e ano: abril de 1918
    • Quando se sabe apenas o ano exato: 1918 [quando o ano é um dado certo]
    • Quando apenas se tem uma hipótese plausível do ano: aproximadamente 1918

Não use em hipótese alguma barras (08/04/1918), traços (08-04-1918) ou outras formas de datas sintéticas, pois o sistema não as reconhece.

Também nunca use zeros à esquerda (08 de abril de 1918). Aliás, esta é uma dica para a vida! É absolutamente desnecessário fazer a notação de números usando zeros à esquerda. Essa uma “doença”, que eu denomino “zerite”, é oriunda do uso de computadores (antigos) e da fraude de cheques. Eu tenho arrepios ao ler coisas como “Eu tenho 03 filhos”. Primeiro porque nesse caso devemos escrever “três” e segundo porque aquele zero ali não tem serventia nenhuma. Em poucas situações o uso do zero se justifica quando escrevemos de próprio punho datas ou valores (como no caso dos cheques, data de uma declaração etc.).

Se quiser fazer importação de dados para alguns softwares, como o RootsMagic, opte por usar as datas em inglês, pois é o único idioma que eles reconhecem: 8 apr 1918 ou 8 April 1918.

9) Nunca deixe de registrar um ano aproximado de nascimento para alguém na árvore.

Sempre é possível estimar um ano aproximado de nascimento. Deixar em branco atrapalha as pesquisas de outros usuários e até a nossa própria. Se não sabe a data correta, use a abreviação inglesa “Abt”, que significa “About”, ou seja, “aproximadamente”. Também é válido escrever “circa 1870” ou “aproximadamente 1870”. Eu prefiro usar “Abt 1870” ou “cerca 1870” porque infelizmente a Árvore Familiar não traduz automaticamente as datas para usuários que utilizam outras línguas e, portanto, enquanto isso não acontece é bom usar uma padronização internacional.

Eu também não uso as abreviaturas “Cal” (calculated), “Bef” (before) e “Aft” (after) e nem seus equivalente em outras línguas. Eu opto por usar apenas o “Abt”/”circa” e nas observações que ficam num quadro logo abaixo registrar o raciocínio que me levou a indicar aquela data. Exemplos:

    • Tinha 22 anos ao se casar em 1892 (ver fontes).
    • Tinha 66 anos no registro de chegada ao Brasil (ver fontes).
    • Declarou ter 37 anos no nascimento do filho José em 1915 (ver fontes).
    • Sua neta Rosa Maria Russo afirma que o avô tinha 80 anos ao falecer em 1965.

Como se nota, o ideal é trazer datas aproximadas baseadas em fontes documentais (registros). Caso não seja naquele momento contar com nenhuma fontes primária, um relato pode ajudar a balizar o período de vida do indivíduo.

Qualquer ano aproximado baseado no bom senso é melhor do que nada! Quando se coloca “Abt”/”circa” se indica para o leitor/pesquisador que aquele é um dado aproximado que precisará ser confirmado!

10) No local do nascimento procure colocar pelo menos o país.

A mesma explicação feita no ponto anterior sobre o ano de nascimento vale para o local de nascimento. Normalmente se sabe pelo menos o país do nascimento. Se você tem esse dado, o coloque. Prefira colocar “Brasil” em vez de não colocar nada. Se sabe o estado/província, coloque esse dado. Se de fato não souber nem mesmo o país de nascimento, deixe em branco.

11) Nos nomes e sobrenomes nunca use elementos estranhos.

Nas lacunas de nomes e sobrenomes nunca use elementos que não sejam de fato parte do nome ou sobrenome (ou de suas variações). Portanto, jamais use “ou”, barras “/”, parênteses “()” etc. Se a pessoa teve vários nomes e variações use a seção apropriada “Outras informações >  Acrescentar informações > Nome alternativo”. Para cada conjunto de nome e sobrenome diferentes adicione uma ocorrência separada. Se o nome “original” era Luigi Maniero use-o como principal e depois liste todas as variantes possíveis, sempre uma de cada vez:

– Luís Maniero
– Luiz Maniero
– Luiz Manheiro
– Luiz Marinheiro
– Luis Marreiro

Use variações possíveis mesmo que não estejam necessariamente anotadas em algum registro ou certidão que tenha consultado. Quanto mais variações informadas, mais fácil ficará para o sistema interno de busca do sistema encontrar aquele indivíduo, evitando assim a criação de duplicados.

Outra questão importante: na coluna dos sobrenomes vão todos os sobrenomes e não apenas o último (devemos combater o senso comum de que o último sobrenome é mais importante que os outros). Se o nome era “Gabriel Ribeiro da Silva“, “Gabriel” vai na lacuna de nomes e “Ribeiro da Silva” na lacuna de sobrenomes. O sobrenome sempre será “Ribeiro da Silva” e não apenas “Silva” ou “da Silva“.

12) Monitore todos os indivíduos cujas modificações queira controlar.

Cada usuário pode monitorar até quatro mil indivíduos na Árvore Familiar. Monitore todos os indivíduos que queira acompanhar e ser notificado de alterações feitas por outros usuários. É uma forma de manter os dados que você inseriu sob controle e evitar que pessoas desavisadas ou mal intencionadas de estragar o seu trabalho. Habilita receber um resumo semanal das alterações por e-mail.

13) Antes de inserir algum indivíduo novo, verifique se ele já se encontra na Árvore Familiar.

Sempre verifique se uma pessoa já não está inserida na Árvore Familiar antes de criá-la. Use o motor de busca (https://www.familysearch.org/tree/find/name) e faça a pesquisa usando as diversas variações do nome e sobrenome (grafias alternativas).

14) Cuidado ao unificar indivíduos!

Se o sistema sugerir uma união de dois indivíduos potencialmente duplicados (“merge”), só o faça se o grau de probabilidade de que se trata realmente de uma mesma pessoa seja alto. Nunca unifique duas pessoas apenas porque têm “nomes parecidos”!

Uma das ações que mais “bagunçam” as árvores são uniões/unificações  feitas de forma negligente, sem a devida verificação. Já vi muitas fusões (essa deveria ser a nomenclatura) de indivíduos nascidos em séculos diferentes e até em continentes diferentes! Simplesmente porque o nome era igual ou até mesmo parecido!

A Árvore Familiar não é um jogo em que se acumula pontos ou prêmios! Somente unifique duas pessoas se tem certeza de que sejam o mesmo indivíduo.

15) Cuidado ao anexar fontes sugeridas!

Aqui vale a mesma dica do ponto anterior: se o sistema sugerir registros como fontes, também apenas os anexe caso tenha um grau alto de probabilidade de que aquele registro diz respeito àquele indivíduo. Não anexe fontes apenas porque “acha legal” ou “divertido” fazê-lo. Analise a fonte sugerida e somente a anexe ao indivíduo caso esteja 100% certo de que o registro sugerido realmente diga respeito àquela pessoa. Fico estupefacto ao ver que muito gente anexa fontes complemente sem sentido, como registros de censos dos Estados Unidos a família que nunca moraram lá! Tenhamos bom senso!


As dicas acima são de minha autoria e responsabilidade. Não tenho nenhuma ligação formal com o FamilySearch, apenas eterna gratidão. Todos são livres de seguir as dicas se assim quiserem. É o meu apelo e meu convite.

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