Os brasões e a esperteza dos charlatões

BRASÕES E CHARLATÕES, UMA ESTREITA RELAÇÃO

É recorrente no ambiente da genealogia e da busca pela cidadania italiana que apareça o tema dos “brasões de armas”. Nos tempos de Orkut eu já tinha um texto pronto intitulado “A veracidade dos brasões”. E o tema nunca morre.

Quem nunca se perguntou “qual é o brasão da minha família?” ou “qual é o brasão do sobrenome X?” É uma curiosidade natural que nasce de uma concepção equivocada de um elemento histórico que de fato existiu e ainda existe. Os primeiros brasões datam do século XI, ou seja, é uma história de mil anos.

Os brasões são representações gráficas elaboradas para identificar pessoas, famílias, clãs, bispos, cardeais, papas, cidades, regiões, nações etc. Note que não citei a palavra “sobrenomes” E por quê? Porque brasões NÃO representam sobrenomes.

FATO: NÃO EXISTE “BRASÃO DO SOBRENOME XYZ”!

Qualquer pessoa ou site que quiser divulgar ou vender que determinado sobrenome possui um brasão está te enganando. É puro charlatanismo! Em italiano “ciarlataneria”.

Um brasão familiar (em italiano “stemma”) é sempre criado sob encomenda para uma família específica. Quase sempre são famílias que receberam títulos de nobreza (títulos nobiliárquicos) por diversas razões.

Não existe “brasão dos Silvas”, “brasão dos Trevisan”, “brasão dos Rossi”, “brasão dos Esposito”, “brasão do Visentin”. Esqueçam essa besteira.

Soma-se a isso outro fato incontestável: 99% dos nossos ancestrais imigrantes eram pessoas economicamente MISERÁVEIS. Todos os meus avós eram POBRES a ponto de não ter na infância mais do que duas mudas de roupa. E essa é a história da esmagadora maioria de nós.

Acreditar que nossas famílias tinham brasões é, além de ridículo, um desmerecimento à história de luta que tiveram. Emigraram porque foram expulsos, fugindo da miséria, muitos sem qualquer bagagem.

É até legal brincar de ter brasão. Um site um dia inventou um brasão até para minha família, que é única (não há homônimos) e tem origem pobre até quando os registros conseguem alcançar (século XVI). Achei legal, mandei imprimir e preguei na parede durante uma festa da família em 2003. Foi tudo muito divertido, mas fiz questão de dizer a todos: isso aí é uma invenção, nossa família nunca teve brasão nenhum.

Portanto, cuidado com sites que vendem brasões e histórias fantasiosas de família, citando nobres e cavaleiros com datas e locais desconexos. Isso é CHARLATANISMO.

Quer um exemplo? “Heraldrys Instituto of Rome” (www.heraldrysinstitute.com). O site mistura verdade e ficção na esperança de que as pessoas caiam no conto. E milhares caem, achando que aqueles brasões e aquelas histórias têm alguma relação com a sua própria família. Não caiam nessa!

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