A quimera das máfias e os limites da cara-de-pau


Antes de prosseguir, convido a todos – caso ainda não tenham feito – que leiam o meu artigo na Revista Insieme sobre as supostas “máfias da cidadania” e sobre o reaparecimento da ex-deputada Renata Bueno.

Taddone desafia Renata Bueno a comprovar denúncias e escreve: “A quimera das máfias e os limites da cara-de-pau”

Esclareço agora alguns pontos, pois – como era esperado – uma miríade de perfis fake já começou o seu trabalho de desinformação. São verdadeiros minions, mas sem a simpatia e doçura dos pequenos amarelinhos.

Eu estou nesse “mundo da cidadania” há cerca de 23 anos. Não cheguei ontem. Nunca lucrei com cidadania, aliás, eu perco dinheiro com o trabalho que faço. Isso atrapalha minha vida profissional e até pessoal, pois minha mulher odeia que eu me envolva com isso, mas é mais forte do que eu.

A todos que me escrevem pedindo indicações de assessoria eu sempre digo a mesma coisa: não indico assessores. Para não dizer que eu nunca indiquei assessores, fiz isso duas vezes em todo esses anos:

1) Indiquei uma assessoria para a professora da ioga da minha mãe que queria passar um período bucólico na Itália. Deu tudo certo, ótimo. Não ganhei um tostão com isso, nem mesmo um pote de Nutella.

2) Indiquei uma assessoria “VIP” para a esposa de um médico com quem meu irmão se consulta, a pedido dele. Resultado: deu zerda. Penitencio-me até hoje e meu irmão ainda nem sabe que deu zerda. Se ele souber, vou escutar até o fim dos dias. Pedi mil desculpas à esposa do médico e prometi-me a nunca mais fazer indicação nenhuma de assessoria.

Deixo tudo isso muito claro porque se existe uma pessoa isenta para dizer algo essa pessoa sou eu.

Tenho amizades virtuais com alguns assessores e advogados, trocamos informações. Muitos deles vêm pedir minha opinião sobre diversas situações e são todas pessoas verdadeiramente interessadas e comprometidas a resolver problemas e atuar com lisura.

Alguns perfis fake me fizeram perguntas inquisitórias com o objetivo de colocar em xeque minha opinião. Vou respondê-las:

Pergunta 1: ” [você] não falou (sic) nada sobre o que vem ocorrendo na Italia sobre a prisão dos falsos Assessores, fechamento de Comunes e Cancelamento das Cidadanias. E também não oferece nenhuma solução para o problema das pessoas com Cidadania Cancelada. ”

Resposta: Como eu digo no texto, há muitos “picaretas no varejo”. Houve prisões e situações que ocorreram fora dos parâmetros legais, nunca neguei isso e seria algo impossível de fazer. Existem vários malfeitores, mas não constituem nenhuma máfia, muito menos são “coiotes” (que conceito mais ridículo!).

Sei que houve muitas cidadanias “canceladas”, procedimento que em si cheira a total ilegalidade por parte dos municípios que o fizeram. De qualquer maneira, não cabe a mim apresentar soluções, pois não sou advogado e nesses casos somente existe a via judicial para solucionar o problema já criado.

Pergunta/afirmação 2: “Parece que o olhar dele [= Daniel Taddone] está restrito ao ataque de quem vem denunciando essas falcatruas e não às vitimas e aos brasileiros que estão sendo barrados e deportados todos os dias. Se ele já sabia desses problemas, porque só está se manifestando agora? Tenho ressalvas com esse senhor agora.”

Resposta: Só estou me manifestando agora? Onde essa pessoa vive? Eu me manifesto todo dia desde 2013 quando deixei de ser funcionário consular. Diferentemente de outros ex-candidatos a parlamentar, eu dou minha cara a tapa todo santo dia. Não caí de paraquedas nesse mundo, não. Aliás, desafio a qualquer um que debata cidadania comigo ao vivo. Desde fevereiro de 2018 espero um momento para debater com a senhora Renata Bueno, mas sei que ela jamais aceitaria um debate comigo, pois além de ter sido uma péssima parlamentar, não entende nada de cidadania italiana.

Deixo ainda três importantes pontos de esclarecimento aqui:

Ponto 1

Não existe nenhuma “máfia da cidadania”. Máfia pressupõe uma organização criminosa sofisticada e estabelecida por ritos, ligações familiares e, sobretudo, violência física contra seus alvos. Usar a palavra máfia para denominar a picaretagem varejista é algo ridículo, mas tem seus motivos.

Para alguns é útil criar a fantasia de que existiria uma máfia para poder fazer seu nome e lucrar bastante incorporando a figura do defensor dos fracos e oprimidos. Fariam melhor se simplesmente fizessem o seu trabalho honesto sem precisar de histrionismo.

Ponto 2

A ex-deputada Renata Bueno há quatro anos criou uma assessoria disfarçada de “Instituto”. Não há nenhum problema nem vergonha em ser assessor/consultor de cidadania italiana. Trata-se de uma atividade lícita. Todavia, fazer de conta que ela comanda uma entidade beneficente é abusar da nossa boa vontade.

Ponto 3

A ex-deputada Renata Bueno disse que durante o seu mandato parlamentar (2013-2018) fez várias denúncias ligadas a atividades ilícitas no reconhecimento de cidadania. Ela informa ainda que várias de suas denúncias foram inclusive investigadas.

Eu publicamente estou convidando a ex-parlamentar a informar à coletividade quais foram essas denúncias, listando algumas delas. Lembro que essas denúncias são obrigatoriamente procedimentos públicos e que podem ser verificados.

Se ela não apresentar nada, ficará claro que se trata apenas de puro lero-lero. Quem aposta comigo que ela simplesmente vai fazer de conta que ninguém solicitou nada a ela? E sabe por quê? Porque ela nunca apresentou denúncia nenhuma, pois ela passou 5 anos sentada numa cadeira do Parlamento italiano e não fez rigorosamente nada. NA-DA.

Gostou? Deixe seu comentário: